Que é "excessivo", ou "redundante" para o presente capitalismo global. (Bauman). Pessoas sem função econômica, desnecessárias à economia mundial e aparentemente suspeitas por estarem por fora. Pessoas que emergem dos centros urbanos, bárbaros modernos, prestes a emergir das terras ignotas do além-império. Não há certeza sobre o destino dos não refugados, mas de uma forma, ou de outra a globalização os jogará à obsolescência...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Haikai do consumismo ideológico
Como tem gente ignorante,
Como tem gente otária...
Não vê que toda ideologia totalizante
É uma ideologia totaritária
Como tem gente otária...
Não vê que toda ideologia totalizante
É uma ideologia totaritária
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Hai kai da democracia liberal representativa do estado-nação contemporâneo
Constitucionalissimamente
A constituição só mente...
domingo, 20 de janeiro de 2013
Sofrimento X Felicidade
A felicidade é a pedra basilar da sociedade individualista e o refrão que o marketing entoa diariamente que perpassa nossos olhos, ouvidos e subconscientes. Mas o que é a felicidade? Será que podemos atingir apenas uma definição para essa pergunta?
Tentam nos vender a ideia de que felicidade é ter um corpo escultural, uma vida livre de drogas, um padrão de consumo elevado, um emprego bem remunerado, amigos "descolados", uma linda mulher loira, alta e de olhos claros ao nosso lado, lindos filhos, um automóvel grande e potente (como se isso compusesse nossa personalidade) e um apartamento e uma televisão tão grandes quanto o vazio de nossa existência. Sim é possível atingir esse patamar e, apesar de todo o esforço e cerceamento que esse "padrão" demanda, ser extremamente infeliz. O sofrimento advindo das frustrações mesmo quando atingimos esse patamar de perfectibilidade imputados aos indivíduos individualistas também é constante.
Se não quero engordar, não posso beber muita cerveja, ou comer coisas calóricas. Se tenho um emprego que paga bem, em contrapartida há o tempo que ele demanda e, por vezes, a sua nulidade social. Se quero comprar um computador, ou um carro de última geração, tenho que arcar com os débitos desses verdadeiros falos do consumo.
Em suma, estamos sempre divididos entre dúvidas e dívidas do dia-a-dia.
A felicidade nada mais é do que a ilusão de uma unidade composta por um sofrimento intercalado entre esses momentos. Contudo, o sofrimento também não compõe uma unidade e é sempre intercalado, nem que seja por breves momentos de menos sofrimento.
A ilusão, nada mais é do que a representação coletiva, ou individual de uma realidade fenomênica incomensurável e inapreensível em sua totalidade. Dada a impotência do indivíduo ante a infinitude desta realidade, basta-lhe recorrer aos seus parcos sentidos para apreender o que pode vir a ser o mundo, pautando-se também e logicamente nas representações compostas pelo meio social desse indivíduo. Logo, esta representação, apesar de individual, é também sujeita à representação coletiva.
Na nossa sociedade do espetáculo, as representações do conceito de "felicidade" e do conceito de "sofrimento" passa por um processo de intensa repetição das representações tidas como certas, ou ideais à essa mesma sociedade. O fato de não ser o "consumidor ideal" por si só já exclui o indivíduo, o torna infeliz, o faz sofrer e é sob esse sofrimento que se erige o ciclo do consumismo característico de nossos tortuosos dias. Insatisfação, consumo, lançamento de novos produtos, insatisfação, consumo do novo produto. Ciclo de obsolescência cada vez mais curta.
Apesar de cada vez mais limitado, ainda possuímos o livre arbítrio, ainda podemos fazer escolhas. Escolhas, contudo, demandam conhecimento. O auto-conhecimento é o princípio fundamental que nos impele a fazer as melhores escolhas para nossa vida, seja esse conhecimento pautado na racionalidade, seja pautado na irracionalidade, dado que a própria razão não é suficientemente abrangente para abarcar sequer a realidade como se nos apresenta (fenomênica). Dado esse dado, caímos numa pretensa aporia, para transcendermos o individualismo temos que nos voltar para nós mesmos. Pretensa porque o consumismo se pauta num individualismo behaviorista, sub racional e quando passamos a nos conhecer profundamente nos tornamos racionais e supra racionais.
Correndo o risco de parecer uma oratória de auto-ajuda, concluo escrevendo que o sofrimento é inevitável e a felicidade também; só depende de nós demandar mais atenção a um do que ao outro. Só depende de nós não nos submetermos a essa felicidade hitlerista (não à toa empoderado pela publicidade) que nos impele a agir sem reflexão e sem sensibilidade; só depende de nós garimparmos a satisfação pessoal, profissional, sexual, sentimental, mesmo que à parte do que a lei e a pretensa "opinião pública" nos ditam (pretensa e nunca real, porque não se pauta no público, mas apenas nos grandes conglomerados de mídia). O sofrimento não deve ser evitado, mas enfrentado, é ele que nos impele a valorizar os momentos de felicidade real na nossa breve passagem por esse mundinho azul, cada vez mais escuro.
Tentam nos vender a ideia de que felicidade é ter um corpo escultural, uma vida livre de drogas, um padrão de consumo elevado, um emprego bem remunerado, amigos "descolados", uma linda mulher loira, alta e de olhos claros ao nosso lado, lindos filhos, um automóvel grande e potente (como se isso compusesse nossa personalidade) e um apartamento e uma televisão tão grandes quanto o vazio de nossa existência. Sim é possível atingir esse patamar e, apesar de todo o esforço e cerceamento que esse "padrão" demanda, ser extremamente infeliz. O sofrimento advindo das frustrações mesmo quando atingimos esse patamar de perfectibilidade imputados aos indivíduos individualistas também é constante.
Se não quero engordar, não posso beber muita cerveja, ou comer coisas calóricas. Se tenho um emprego que paga bem, em contrapartida há o tempo que ele demanda e, por vezes, a sua nulidade social. Se quero comprar um computador, ou um carro de última geração, tenho que arcar com os débitos desses verdadeiros falos do consumo.
Em suma, estamos sempre divididos entre dúvidas e dívidas do dia-a-dia.
A felicidade nada mais é do que a ilusão de uma unidade composta por um sofrimento intercalado entre esses momentos. Contudo, o sofrimento também não compõe uma unidade e é sempre intercalado, nem que seja por breves momentos de menos sofrimento.
A ilusão, nada mais é do que a representação coletiva, ou individual de uma realidade fenomênica incomensurável e inapreensível em sua totalidade. Dada a impotência do indivíduo ante a infinitude desta realidade, basta-lhe recorrer aos seus parcos sentidos para apreender o que pode vir a ser o mundo, pautando-se também e logicamente nas representações compostas pelo meio social desse indivíduo. Logo, esta representação, apesar de individual, é também sujeita à representação coletiva.
Na nossa sociedade do espetáculo, as representações do conceito de "felicidade" e do conceito de "sofrimento" passa por um processo de intensa repetição das representações tidas como certas, ou ideais à essa mesma sociedade. O fato de não ser o "consumidor ideal" por si só já exclui o indivíduo, o torna infeliz, o faz sofrer e é sob esse sofrimento que se erige o ciclo do consumismo característico de nossos tortuosos dias. Insatisfação, consumo, lançamento de novos produtos, insatisfação, consumo do novo produto. Ciclo de obsolescência cada vez mais curta.
Apesar de cada vez mais limitado, ainda possuímos o livre arbítrio, ainda podemos fazer escolhas. Escolhas, contudo, demandam conhecimento. O auto-conhecimento é o princípio fundamental que nos impele a fazer as melhores escolhas para nossa vida, seja esse conhecimento pautado na racionalidade, seja pautado na irracionalidade, dado que a própria razão não é suficientemente abrangente para abarcar sequer a realidade como se nos apresenta (fenomênica). Dado esse dado, caímos numa pretensa aporia, para transcendermos o individualismo temos que nos voltar para nós mesmos. Pretensa porque o consumismo se pauta num individualismo behaviorista, sub racional e quando passamos a nos conhecer profundamente nos tornamos racionais e supra racionais.
Correndo o risco de parecer uma oratória de auto-ajuda, concluo escrevendo que o sofrimento é inevitável e a felicidade também; só depende de nós demandar mais atenção a um do que ao outro. Só depende de nós não nos submetermos a essa felicidade hitlerista (não à toa empoderado pela publicidade) que nos impele a agir sem reflexão e sem sensibilidade; só depende de nós garimparmos a satisfação pessoal, profissional, sexual, sentimental, mesmo que à parte do que a lei e a pretensa "opinião pública" nos ditam (pretensa e nunca real, porque não se pauta no público, mas apenas nos grandes conglomerados de mídia). O sofrimento não deve ser evitado, mas enfrentado, é ele que nos impele a valorizar os momentos de felicidade real na nossa breve passagem por esse mundinho azul, cada vez mais escuro.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Os outros
Os outros acham que sabem o que é melhor para a sua vida, mesmo não tendo a menor noção de o que fazer com suas vidas.
Os outros acham que sabem que caminhos você deve trilhar para ser uma pessoa respeitável, alguém importante, uma "pessoa de bem". Mesmo que façam o inverso do que pregam, ou que façam o que pregam apenas por recalque, ou para gozarem de uma pujança moral.
Os outros acreditam piamente que a você sucumbirá aos malgrados da idade, será acomodado, relapso e postergador.
Ignore os outros. Dê cada passo fincando forte seu pé no chão, tendo consciência de que aquele caminho foi escolhido dentre uma infinidade de possibilidades, faça valer seu breve tempo aqui na terra, que os outros sejam apenas o que são, outros, não vocês. Você é o único ser que importa na sua vida. Não seja coadjuvante de si próprio, não entoe o coro dos conformados, vocifere contra os outros, suas regras imbecis e seus dedos indicadores apontados para o diferente.
Desejo-lhe um 2013 no qual você consiga ficar consigo!
Os outros acham que sabem que caminhos você deve trilhar para ser uma pessoa respeitável, alguém importante, uma "pessoa de bem". Mesmo que façam o inverso do que pregam, ou que façam o que pregam apenas por recalque, ou para gozarem de uma pujança moral.
Os outros acreditam piamente que a você sucumbirá aos malgrados da idade, será acomodado, relapso e postergador.
Ignore os outros. Dê cada passo fincando forte seu pé no chão, tendo consciência de que aquele caminho foi escolhido dentre uma infinidade de possibilidades, faça valer seu breve tempo aqui na terra, que os outros sejam apenas o que são, outros, não vocês. Você é o único ser que importa na sua vida. Não seja coadjuvante de si próprio, não entoe o coro dos conformados, vocifere contra os outros, suas regras imbecis e seus dedos indicadores apontados para o diferente.
Desejo-lhe um 2013 no qual você consiga ficar consigo!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Inseguranças nossas de cada dia
É normal ter inseguranças. De fato as certezas que temos na vida são poucas. A primeira certeza é a de que estamos vivos, a segunda de que morreremos. A forma como lidamos com a efemeridade de nossas vidas diz muito a respeito de nossa personalidade, humor e inteligência.
A questão é que, como numa fórmula matemática, as incertezas são diretamente proporcionais à insegurança. A partir do momento em que pautamos nossas vidas nas incertezas e não no que cogitamos e sentimos , estamos fadados ao produto final dessa fórmula matemática que é a procrastinação e as mudanças drásticas de atitude que dissolvem tudo o que havíamos construído no sentido oposto.
Certa feita lendo sobre Alice no país das maravilhas na aula de redação de um grande mestre, professor Tomás, me deparei com um diálogo entre o gato e Alice. Alice pergunta ao gato que caminho ela deve seguir, o gato lhe responde "depende para onde você quer ir", Alice diz que não sabe direito para onde quer ir e, por fim, o gato lhe diz antes de sumir que "Quem não sabe aonde quer chegar qualquer caminho serve". Na vida há muitas Alices caminhando sem saber onde querem chegar com frustrações, inseguranças e incertezas... só não podem reclamar do caminho que acabam seguindo.
A questão é que, como numa fórmula matemática, as incertezas são diretamente proporcionais à insegurança. A partir do momento em que pautamos nossas vidas nas incertezas e não no que cogitamos e sentimos , estamos fadados ao produto final dessa fórmula matemática que é a procrastinação e as mudanças drásticas de atitude que dissolvem tudo o que havíamos construído no sentido oposto.
Certa feita lendo sobre Alice no país das maravilhas na aula de redação de um grande mestre, professor Tomás, me deparei com um diálogo entre o gato e Alice. Alice pergunta ao gato que caminho ela deve seguir, o gato lhe responde "depende para onde você quer ir", Alice diz que não sabe direito para onde quer ir e, por fim, o gato lhe diz antes de sumir que "Quem não sabe aonde quer chegar qualquer caminho serve". Na vida há muitas Alices caminhando sem saber onde querem chegar com frustrações, inseguranças e incertezas... só não podem reclamar do caminho que acabam seguindo.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Técnica X Emoção
Quando eu era pequeno, mentira nunca fui pequeno, sempre fui grande pra minha idade.
Quando era mais novo, melhor assim, tinha por volta de 13,15 anos, sempre que me apaixonava perdidamente por alguma menina, eu perdia completamente a noção da realidade. Sempre imaginava que o "approach" se daria de um modo extramente complexo e incomum. A moçoila em questão estaria andando sozinha, alheia ao mundo, quando de repente chegava um cara e a agarrava a força, ou então batia nela, ou a roubava, ou tentava estuprá-la, ou todas as alternativas anteriores. Eu aparecia do nada, segurava a mão dele e dizia com uma voz máscula e intimidadora "SOLTE ELA! Vou contar de um até três, se você não soltá-la, vou ter que fazer uso da violência. Eu sou um pacifista, não quero agredir ninguém, mas você não está me dando escolha." E o pau comia solto. Dava chutes maestrais de fazer inveja em qualquer Bruce Lee, murros em pontos vitais, cotoveladas, joelhadas, batia em vários malfeitores ao mesmo tempo, salvava a mocinha e ela, automaticamente, veria toda a beleza do meu ideossincrático ser e se apaixonava instantaneamente por mim. Naquele momento sabíamos, nossas vidas estavam para sempre entrelaçadas, teríamos filhos, netos, eramos almas gêmeas, duos e unos simultaneamente, eramos a laranja completa, the happy end.
Contudo, sempre que a via no outro dia na escola, ou na rua... nada. Olhava-a de longe, se ela olhasse, fingia que não a via, começava a tremer, não pensava em nada, ficava nervoso, angustiado, suava feito um porco, pelos piores lugares para se suar... E se por acaso fosse impelido a lhe falar era uma tragédia ainda maior, parecia que estava com algum objeto na boca, tipo aqueles aparelhos antigos que ocupavam toda a cabeça do indivíduo e ele passava o dia chupando baba, e qualquer coisa que eu dissesse parecia a coisa mais imbecil do mundo. Podia ser a mais linda frase, a mais bela poesia, qualquer coisa parecia idiota e parecia que a menina ia fazer uma cara de entojo, como quem chupa um limão sem tequila, e nunca mais iria olhar na minha cara. Resultado, nunca falava nada, nunca estabelecia uma conversa, nunca mostrava quem eu era à ninguém. Essas meninas sempre ficavam com caras imbecis e depois diziam que "Todo homem..." alguma coisa que denegrisse e generalizasse o sexo masculino. De outro modo, encontrava algum motivo para fazer com que minha musa deixasse de ser minha musa, "desmusasse", "ela não gosta de tal coisa em mim", "ela olhou de tal forma", "ela é amiga daquele babaca, provavelmente é apaixonada por ele", ou o mais comum de todos, "ela nunca ficaria com um cara feito eu" e com o passar do tempo quer por maior distanciamento, quer por maior proximidade, aquela musa era substituída por outra que se encontrasse exatamente àquela distância de mim. A beleza que emanava da distância, o não ter que criava o desejo, enfim, o platonismo mal compreendido que transcendia o corpo sem sequer tocá-lo, que criava afinidades inexistes, assim como, disparidades.
O tempo passou, passei a perceber o valor do cotidiano, da troca de olhares, dos "bons dias" de todo dia, da conversa corriqueira, desinteressada, da cerveja, do vinho, da conversa interesseira, da verdade adaptada, bem calculada, do olhar limítrofe entre o tesão e o interesse, da frase dita na hora certa e principalmente, do silêncio no momento adequado. O tempo passou, as meninas se tornaram mulheres, o menino de 15 completou 25 e até hoje continua cometendo os mesmos erros infantis, os mesmos olhares acanhados e as mesmas incertezas.
A técnica só funciona sem a emoção.
Quando era mais novo, melhor assim, tinha por volta de 13,15 anos, sempre que me apaixonava perdidamente por alguma menina, eu perdia completamente a noção da realidade. Sempre imaginava que o "approach" se daria de um modo extramente complexo e incomum. A moçoila em questão estaria andando sozinha, alheia ao mundo, quando de repente chegava um cara e a agarrava a força, ou então batia nela, ou a roubava, ou tentava estuprá-la, ou todas as alternativas anteriores. Eu aparecia do nada, segurava a mão dele e dizia com uma voz máscula e intimidadora "SOLTE ELA! Vou contar de um até três, se você não soltá-la, vou ter que fazer uso da violência. Eu sou um pacifista, não quero agredir ninguém, mas você não está me dando escolha." E o pau comia solto. Dava chutes maestrais de fazer inveja em qualquer Bruce Lee, murros em pontos vitais, cotoveladas, joelhadas, batia em vários malfeitores ao mesmo tempo, salvava a mocinha e ela, automaticamente, veria toda a beleza do meu ideossincrático ser e se apaixonava instantaneamente por mim. Naquele momento sabíamos, nossas vidas estavam para sempre entrelaçadas, teríamos filhos, netos, eramos almas gêmeas, duos e unos simultaneamente, eramos a laranja completa, the happy end.
Contudo, sempre que a via no outro dia na escola, ou na rua... nada. Olhava-a de longe, se ela olhasse, fingia que não a via, começava a tremer, não pensava em nada, ficava nervoso, angustiado, suava feito um porco, pelos piores lugares para se suar... E se por acaso fosse impelido a lhe falar era uma tragédia ainda maior, parecia que estava com algum objeto na boca, tipo aqueles aparelhos antigos que ocupavam toda a cabeça do indivíduo e ele passava o dia chupando baba, e qualquer coisa que eu dissesse parecia a coisa mais imbecil do mundo. Podia ser a mais linda frase, a mais bela poesia, qualquer coisa parecia idiota e parecia que a menina ia fazer uma cara de entojo, como quem chupa um limão sem tequila, e nunca mais iria olhar na minha cara. Resultado, nunca falava nada, nunca estabelecia uma conversa, nunca mostrava quem eu era à ninguém. Essas meninas sempre ficavam com caras imbecis e depois diziam que "Todo homem..." alguma coisa que denegrisse e generalizasse o sexo masculino. De outro modo, encontrava algum motivo para fazer com que minha musa deixasse de ser minha musa, "desmusasse", "ela não gosta de tal coisa em mim", "ela olhou de tal forma", "ela é amiga daquele babaca, provavelmente é apaixonada por ele", ou o mais comum de todos, "ela nunca ficaria com um cara feito eu" e com o passar do tempo quer por maior distanciamento, quer por maior proximidade, aquela musa era substituída por outra que se encontrasse exatamente àquela distância de mim. A beleza que emanava da distância, o não ter que criava o desejo, enfim, o platonismo mal compreendido que transcendia o corpo sem sequer tocá-lo, que criava afinidades inexistes, assim como, disparidades.
O tempo passou, passei a perceber o valor do cotidiano, da troca de olhares, dos "bons dias" de todo dia, da conversa corriqueira, desinteressada, da cerveja, do vinho, da conversa interesseira, da verdade adaptada, bem calculada, do olhar limítrofe entre o tesão e o interesse, da frase dita na hora certa e principalmente, do silêncio no momento adequado. O tempo passou, as meninas se tornaram mulheres, o menino de 15 completou 25 e até hoje continua cometendo os mesmos erros infantis, os mesmos olhares acanhados e as mesmas incertezas.
A técnica só funciona sem a emoção.
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