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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Meu olhar

Alberto Caeiro
II - O Meu Olhar
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

sábado, 10 de outubro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Balada do Cárcere


Acabei de assistir ao espetáculo Balada do Cárcere no teatro Alfredo de Oliveira, em sessão até o fim de Outrubro às quintas e sextas às 20:30.
Geralmente não costumo fazer deste um blog diário ou algo do tipo, mas essa peça é algo que realmente vale a pena assistir.
A adaptação é de Marco Antonio Sabino que transmite perfeitamente o contraste entre a dor e a beleza presente na obra e na vida de Oscar Wilde; Contraste esse mais percebido pela minha pessoa ao sair de uma peça dessa magnitude, onde eu era o 3º dos 3 espectadores, e me deparar com o mais perfeito retrato da mediocridade humana em um espetinho na esquina da minha casa, onde eu era apenas mais um transeunte confuso em meio a mais de 100 pessoas e aproximadamente 200 motos.

Não acredito que os três espectadores sejam por demérito do ator e também diretor geral... o demérito ficou bem longe daquele teatro, apesar de tão perto... Mais especificamente ao redor de uma barraca de espetinho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Adolescência "posmatura"

Sou um adolescente tardio
Sem o cabelo estranho, é verdade.
Com menos espinhas na cara, admito.
Mas adolescente.
Com direito a amores impossíveis e tudo mais.
O mais perfeito transeunte,
Não mudo apenas de uma idade para outra,
Mudo de mundo.
Mudo de tudo... de uma maneira geral.
Tudo, especificamente... tudo! De uma maneira geral.

Me vejo a parte dos meus papeis e termino sendo contra tudo.
A igreja, o casamento, o dinheiro, o trabalho,
A limpeza, o adestramento, o chiqueiro, o estábulo,
A tristeza, a falta de discernimento, o prelúdio,
Termino sendo contra mim.

Talvez tenha me tornado duas pessoas inconciliáveis entre si
E uma tem que morrer.
Ambas querem viver
E quanto mais quer, mais vê: querer não é poder.

Por fim, só resta o transeunte:
Cansado, triste e desolado...
Até que por alguma razão ele mude
E parta cada parte pro seu lado,
Ou mate de vez tudo que já foi
Para poder criar o que quer ser.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Broom Driver (2009)

Com insônia crônica Irinelson decide ocupar seu tempo livre a noite dirigindo táxi pela cidade do Recife, onde se depara com violência e a podridão da cidade.
As relações que ele estabelece são superficiais, comum às "grandes" cidades, sentindo-se sozinho e angustiado. Indignado com a sujeira da cidade decide limpá-la com as próprias mãos. Começa a varrer as ruas do Recife até que tropeça em umas maleta de dinheiro e cai no canal da Agamenom Magalhães. O canal-esgoto produz reações no corpo do jovem campesino que não estando com os anticorpos devidamente preparados, vira um esquilo com cara de noiado segurando uma noz em uma preteleira qualquer de um consumidor de FAT food qualquer.

Verde - militar

A aliança entre PV e PSDB não me surpreende de modo algum. Se eles pregam que "ser verde não é mais uma opção" então são contra a liberdade e a democracia da mesma forma que a "impoluta" elite tucana. O símbolo do PV vai virar um papagaio azul (E com um bico grande, pra poder perpetuar as velhas mentiras com um designe mais "in").