Que é "excessivo", ou "redundante" para o presente capitalismo global. (Bauman). Pessoas sem função econômica, desnecessárias à economia mundial e aparentemente suspeitas por estarem por fora. Pessoas que emergem dos centros urbanos, bárbaros modernos, prestes a emergir das terras ignotas do além-império. Não há certeza sobre o destino dos não refugados, mas de uma forma, ou de outra a globalização os jogará à obsolescência...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
...divagarsões...
Eu sou meu próprio mundo agora. A razão, a irracionalidade, a incompreensibilidade e o medo só existem agora de acordo com a minha vontade. Isso é que me preocupa... a "insolidez".
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Gênesis - Capítulo II
Quatro dias sem fumar e entre sonhos envoltos em fumaça e acordar fumando o fio do computador, parece que toda minha energia está concentrada nisso.
Sempre achei que fosse fácil parar de fazer alguma coisa, já que em suma você simplesmente teria que fazer nada. Mas não fazer alguma coisa proibida é extremamente cruel para o ser humano. Caso Deus tivesse posto no Éden qualquer outra coisa teríamos comido, porque é da nossa natureza transpor regras e limites. E é lógico que ele queria que nós comêssemos o pomo, caso contrário teria posto algo que não fosse comestível. Mas em toda sua malícia egocêntrica o Deus dos Hebreus não pode se conter de fazer uma brincadeira de mal gosto e pôs um suculento pomo sendo oferecido por uma linda mulher nua...
Se Adão tivesse resistido deveria ter sido canonizado de imediato e à Eva caberia o desafio de resistir ao Deus através da razão e estando em plenitude com sua liberdade e consciência, diferentemente do medroso que preferiu manter-se fantoche do mais forte.
A criação de Eva no Gênesis é a própria criação da liberdade humana. Não pode haver liberdade parcial, como a que o Deus cristão deu às suas crias. A liberdade só existe quando é plena. O pomo que Eva ofereceu a Adão e que, segundo a tradição cristã, deu à mulher ocidental o lugar de submissão que ocupa hoje em dia foi na verdade a redenção e não a perdição.
Sempre achei que em meio a epidemia de câncer que vivemos fumar ou não era facultativo. Mas além da saúde há a liberdade e esta deve estar acima de qualquer força física ou metafísica.
como diria Oscar Wilde:
"Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia."
Talvez por elas terem comido primeiro tenham melhor discernimento.
Sempre achei que fosse fácil parar de fazer alguma coisa, já que em suma você simplesmente teria que fazer nada. Mas não fazer alguma coisa proibida é extremamente cruel para o ser humano. Caso Deus tivesse posto no Éden qualquer outra coisa teríamos comido, porque é da nossa natureza transpor regras e limites. E é lógico que ele queria que nós comêssemos o pomo, caso contrário teria posto algo que não fosse comestível. Mas em toda sua malícia egocêntrica o Deus dos Hebreus não pode se conter de fazer uma brincadeira de mal gosto e pôs um suculento pomo sendo oferecido por uma linda mulher nua...
Se Adão tivesse resistido deveria ter sido canonizado de imediato e à Eva caberia o desafio de resistir ao Deus através da razão e estando em plenitude com sua liberdade e consciência, diferentemente do medroso que preferiu manter-se fantoche do mais forte.
A criação de Eva no Gênesis é a própria criação da liberdade humana. Não pode haver liberdade parcial, como a que o Deus cristão deu às suas crias. A liberdade só existe quando é plena. O pomo que Eva ofereceu a Adão e que, segundo a tradição cristã, deu à mulher ocidental o lugar de submissão que ocupa hoje em dia foi na verdade a redenção e não a perdição.
Sempre achei que em meio a epidemia de câncer que vivemos fumar ou não era facultativo. Mas além da saúde há a liberdade e esta deve estar acima de qualquer força física ou metafísica.
como diria Oscar Wilde:
"Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia."
Talvez por elas terem comido primeiro tenham melhor discernimento.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
prosseguindo...
O que mais lhe angustia é a impossibilidade da existência de uma literatura enquanto existência do medo no suposto autor que se encontra impossibilitado de escrever.
Até que ele possa finalmente transformar seu medo em revolta e, através de uma grito libertar sua mente e seus pensamentos , enfrente seus medos e finalmente cresça com essa experiência edificante.
"Mas primeiro vai se curar da gripe, porque ninguém faz nada bem feito com o nariz entupido."
Até que ele possa finalmente transformar seu medo em revolta e, através de uma grito libertar sua mente e seus pensamentos , enfrente seus medos e finalmente cresça com essa experiência edificante.
"Mas primeiro vai se curar da gripe, porque ninguém faz nada bem feito com o nariz entupido."
sexta-feira, 17 de julho de 2009
O Assassinato do Rato Nonato- Parte 1
Nunca me senti muito agradável em falar de mim em primeira pessoa. Isso me causa uma impressão muito forte de egoísmo. Até porque (como meu amigo filósofo Rafael me falou certa vez) se você reparar bem, em todas as conversas abundam os "Meu" , "Minha", "Eu", "A gente".
Além do narcisismo não me agrada falar de fatos e sim de ideias.
Passo a me contradizer a partir de agora, começando a contar a trágica epopeia de Rafael ( eu, não o meu amigo filósofo citado anteriormente):
"Rafael acordou de noite. A corrida no parque da Jaqueira, a qual não estava mais habituado , fatigou - o profundamente. Desde que entrara para a universidade Rafael parou com todos os esportes, especializando-se apenas na leitura e no hábito de fumar. Que (modéstia à parte) os executava com maestria.
Tirou o tênis, tomou um banho, colocou algumas músicas para tocar e foi dormir.
Acordou ás 7 ou 8 horas com um telefonema de sua tia pedindo-lhe para comprar cigarros na esquina de casa. Resmungou alguma coisa, voltou a dormir e esqueceu.
Rafael acordou apenas duas horas depois, com várias pessoas em sua casa conversando alto, como era hábito do seu irmão e de seus amigos .
Evitou o mal humor pois seu irmão tinha a perna engessada e também só tinha a intenção de tirar um cochilo. Mal sabia ele que seu pequeno cochilo seria tudo que dormiria aquela noite.
Depois de conversar, cigarros, uno, dominó, mais conversas e cigarros, todos se foram. Estava só.
A solidão sempre o deixou muito angustiado , devido ao seu caráter inventivo e sua imaginação hiperativa que mais o atrapalhava do que o ajudava.
Achou por bem ler um livro de história que seu pai comprou para ele, mas logo o largou por "Dom Quixote". Admirava profundamente o "cavaleiro da triste" figura e seu escudeiro realista e utilitário. Antes de ler decidira-se, nem tanto a Quixote nem tanto à Sancho, queria ser um sonhador com os pés no chão, queria que seus "sonhos" encantassem, acalentassem e fizessem as pessoas pensar. Mas ele estava muito inquieto e seu pensamento estava longe, tão longe, tão angustiado e tão pulsante que só Álvaro de Campos podia expressar-lhe o que sentia. Passou a madrugada e a maior parte da manhã lendo poemas sobre a vida, a morte, e todo o resto que situa-se entre as duas.
Adorava Pessoa, seu jeito de escrever e mais especificamente a forma como descrevia o fumar, o fogo, a fumaça e seu malabarismo ao se dissipar, Rafael criava momentos de uma beleza única e efêmera. Suas tragadas em meio às letras davam um ar erudito que muito lhe agradava. Sentia-se um gênio, escrevendo seus poemas medíocres ao amanhecer, inspirando-se nos grandes mestres.
Apesar de ótimo leitor, era um péssimo escritor. Seus poemas só lhe agradavam ao escrever, pois não sabia fazê-lo, ao lê-los , rasgava- os imediatamente. Se era crítico com o que lia, o era ainda mais com o que escrevia.
Alguns poemas depois acordam sua mãe e seu irmão (o que não estava com o é engessado).
Como de costume queixaram-se da falta de dinheiro e outras coisas triviais. Ele os estimava como a gênios. Gênios que falavam coisas triviais no café da mana e que, muitas vezes, utilizavam-se de sua genialidade fazendo valer seus "direitos" na hierarquia familiar. Mas eram gênios, e Rafael só não lhes tinha mais afeto por amor próprio.
Rafael fez o café, lavou a louça, foi ao caixa eletrônico, satisfez os algozes de suas economias e foi intreter-se no computador. Lá, Saramago, Camus e Dostoievski mantiveram sua baixa auto-estima de escritor que não conseguia escrever.
Após uma ou duas horas (a internet é um portal do tempo como o shopping, no qual os relógios mal podem mensurar o que quer que mensurem) o telefone toca. Sua tia começa a contar-lhe que havia um rato preso em seu quarto:
-"Tu tens coragem de matá-lo?" Perguntou ela com sua conjugação verbal perfeita, típica de uma educação castradora que não permite que os filhos falem a língua da mesma forma que o povo por consideraram "errado", "uma linguagem menor.". Rafael hesitou. Queria ser prestativo para com seus parentes, mas não podia deixar de lado seus princípios éticos e morais. Fora vegetariano por quase cinco anos e seu respeito pelos animais impressionava pela vêemencia com que argumentava sua defesa.
-"Mas isso é passado - pensava consigo - sou um homem sem utopias, nem ideais, se minha tia precisa que eu o faça, eu o farei". Após hesitar brevemente concordo prontamente em matar o indefeso animalzinho: "Tá bom, vou me arrumar e vou p'rai".
Além do narcisismo não me agrada falar de fatos e sim de ideias.
Passo a me contradizer a partir de agora, começando a contar a trágica epopeia de Rafael ( eu, não o meu amigo filósofo citado anteriormente):
"Rafael acordou de noite. A corrida no parque da Jaqueira, a qual não estava mais habituado , fatigou - o profundamente. Desde que entrara para a universidade Rafael parou com todos os esportes, especializando-se apenas na leitura e no hábito de fumar. Que (modéstia à parte) os executava com maestria.
Tirou o tênis, tomou um banho, colocou algumas músicas para tocar e foi dormir.
Acordou ás 7 ou 8 horas com um telefonema de sua tia pedindo-lhe para comprar cigarros na esquina de casa. Resmungou alguma coisa, voltou a dormir e esqueceu.
Rafael acordou apenas duas horas depois, com várias pessoas em sua casa conversando alto, como era hábito do seu irmão e de seus amigos .
Evitou o mal humor pois seu irmão tinha a perna engessada e também só tinha a intenção de tirar um cochilo. Mal sabia ele que seu pequeno cochilo seria tudo que dormiria aquela noite.
Depois de conversar, cigarros, uno, dominó, mais conversas e cigarros, todos se foram. Estava só.
A solidão sempre o deixou muito angustiado , devido ao seu caráter inventivo e sua imaginação hiperativa que mais o atrapalhava do que o ajudava.
Achou por bem ler um livro de história que seu pai comprou para ele, mas logo o largou por "Dom Quixote". Admirava profundamente o "cavaleiro da triste" figura e seu escudeiro realista e utilitário. Antes de ler decidira-se, nem tanto a Quixote nem tanto à Sancho, queria ser um sonhador com os pés no chão, queria que seus "sonhos" encantassem, acalentassem e fizessem as pessoas pensar. Mas ele estava muito inquieto e seu pensamento estava longe, tão longe, tão angustiado e tão pulsante que só Álvaro de Campos podia expressar-lhe o que sentia. Passou a madrugada e a maior parte da manhã lendo poemas sobre a vida, a morte, e todo o resto que situa-se entre as duas.
Adorava Pessoa, seu jeito de escrever e mais especificamente a forma como descrevia o fumar, o fogo, a fumaça e seu malabarismo ao se dissipar, Rafael criava momentos de uma beleza única e efêmera. Suas tragadas em meio às letras davam um ar erudito que muito lhe agradava. Sentia-se um gênio, escrevendo seus poemas medíocres ao amanhecer, inspirando-se nos grandes mestres.
Apesar de ótimo leitor, era um péssimo escritor. Seus poemas só lhe agradavam ao escrever, pois não sabia fazê-lo, ao lê-los , rasgava- os imediatamente. Se era crítico com o que lia, o era ainda mais com o que escrevia.
Alguns poemas depois acordam sua mãe e seu irmão (o que não estava com o é engessado).
Como de costume queixaram-se da falta de dinheiro e outras coisas triviais. Ele os estimava como a gênios. Gênios que falavam coisas triviais no café da mana e que, muitas vezes, utilizavam-se de sua genialidade fazendo valer seus "direitos" na hierarquia familiar. Mas eram gênios, e Rafael só não lhes tinha mais afeto por amor próprio.
Rafael fez o café, lavou a louça, foi ao caixa eletrônico, satisfez os algozes de suas economias e foi intreter-se no computador. Lá, Saramago, Camus e Dostoievski mantiveram sua baixa auto-estima de escritor que não conseguia escrever.
Após uma ou duas horas (a internet é um portal do tempo como o shopping, no qual os relógios mal podem mensurar o que quer que mensurem) o telefone toca. Sua tia começa a contar-lhe que havia um rato preso em seu quarto:
-"Tu tens coragem de matá-lo?" Perguntou ela com sua conjugação verbal perfeita, típica de uma educação castradora que não permite que os filhos falem a língua da mesma forma que o povo por consideraram "errado", "uma linguagem menor.". Rafael hesitou. Queria ser prestativo para com seus parentes, mas não podia deixar de lado seus princípios éticos e morais. Fora vegetariano por quase cinco anos e seu respeito pelos animais impressionava pela vêemencia com que argumentava sua defesa.
-"Mas isso é passado - pensava consigo - sou um homem sem utopias, nem ideais, se minha tia precisa que eu o faça, eu o farei". Após hesitar brevemente concordo prontamente em matar o indefeso animalzinho: "Tá bom, vou me arrumar e vou p'rai".
sábado, 11 de julho de 2009
Só os Amigos de verdade..
Nada que a simples presença de um rosto amigo, um sorriso, acalentem.
Os verdadeiros amigos são raros hoje em dia, e talvez o tenham sido sempre. No decorrer das nossas vidas encontramos pesssoas que se identificam muito com nossos costumes e gostos, mas os costumes mudam com as pessoas, só o essencial permanece; só um grande amigo, um amigo de verdade pode perceber sua essência independentemente das mudanças e lhe amar por isso.
Só um amigo de verdade lhe percebe por dentro, a par de sua imagem ou do papel que você representa.
Só os amigos de verdade, como o que acabou de me visitar, que podem em menos de uma hora e sem lapis de cor, colorir as mais de 24 horas do meu dias.
Amigos assim, são como anjos da guarda, só que mortais. E enquanto existem, prezam e zelam por nós em todos os momentos de sua vida.
Os verdadeiros amigos são raros hoje em dia, e talvez o tenham sido sempre. No decorrer das nossas vidas encontramos pesssoas que se identificam muito com nossos costumes e gostos, mas os costumes mudam com as pessoas, só o essencial permanece; só um grande amigo, um amigo de verdade pode perceber sua essência independentemente das mudanças e lhe amar por isso.
Só um amigo de verdade lhe percebe por dentro, a par de sua imagem ou do papel que você representa.
Só os amigos de verdade, como o que acabou de me visitar, que podem em menos de uma hora e sem lapis de cor, colorir as mais de 24 horas do meu dias.
Amigos assim, são como anjos da guarda, só que mortais. E enquanto existem, prezam e zelam por nós em todos os momentos de sua vida.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Carlos Drummond de Andrade
Poesia
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Preto + Amarelo + Vermelho =
-"Mermão, tu vai sifudê, tu come muita manteiga!"
-"É porque eu nunca como po, aí quando como compenso. Faz muito tempo que não como manteiga.."
-"Tipo o que? Uns 5 anos?!"
-"É porque eu nunca como po, aí quando como compenso. Faz muito tempo que não como manteiga.."
-"Tipo o que? Uns 5 anos?!"
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